quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A lei e o papel higiênico

Questiono se eu merecia mesmo ter nascido num país tão cretino. Digo melhor, um país de tantos calhordas, hipócritas, mentirosos, começando pelos não sei quantas centenas de picaretas (aquela tirada do presidente Luiz Inácio ninguém esquece}. Aqui de tudo dá mesmo sem se plantar – de caçadores de marajá a precursores do nepotismo; de falsos democratas a pretensos defensores do cumprimento dos postulados do direito.

Neste oceano de iniqüidades somos obrigados a ver e conviver com tudo o que é inverdade. Ninguém escapa das chamadas autoridades de caráter pouco recomendável. Elas que nos levam ao deboche através de vergonhosa e verborrágica publicidade enganosa. E o que é mais grave é que uma grande massa acredita neles e os aplaudem, e outros por indisfarçável pusilanimidade fazem de conta que estão falando sério.

Vamos repassar algumas cretinices e atitudes maquiavélicas que vemos e ouvimos todos os dias e que vão rolando como se coisas decentes fossem. Lembremos, como primeiro exemplo escabroso do descaramento oficial, a questão dos juros. Os bancos, esses verdadeiros donos da parte maior da riqueza nacional, agem como se fossem conduzidos por gangsteres, tal a voracidade com que burlam as leis, subvertem a lógica, violentam os princípios éticos e, por esse caminho, subtraem montanhas de recursos de ricos, de pobres, de desesperados, de todos, através de juros escorchantes, criminosos, impiedosos.

Os impostos? Aí, sim, nesse corredor polonês, eles, nossos administradores, têm panos pras mangas na empreitada sorrateira de esfolar os contribuintes, estes na verdade os grandes patrocinadores da corrupção ilimitada a que estamos acostumados, entra ano, sai ano. Por que temos de ser vítimas dessa interminável farra de desmandos geradores de enriquecimento ilícito de tão poucos e da indigência de tantos?

Essa questão dos juros é o exemplo mais perfeito do banditismo creditício-financeiro desta república avacalhada. A nossa marca indelével é a do desrespeito e do assalto à economia das pessoas e das empresas. A contabilidade dos bancos não resistem a 10 minutos de uma auditoria séria. Dizer que eles, os bancos, corroem nossos recursos ostensiva e escandalosamente é dizer o mínimo. Chamá-los de sanguessugas é só um eufemismo.

O cinismo da banca no relacionamento com a sociedade, no atacado e no varejo é algo inimaginável em qualquer país sério.

Até em coisas simplórias como cumprir a lei – o estatuto dos idosos – eles agem como macacas de auditório de Bakunin, cometendo abertamente a desobediência civil – até isto.

Para não deixar escapar dos seus megaestoques financeiros alguns poucos reais na contratação de pessoal, tratam os idosos com a singeleza dos tubarões. A lei para eles é um pedaço de papel higiênico de terceira. Usado. O idoso é, no caso, o que deixa impuro o papel higiênico.

É difícil saber se os nossos filhos – ou netos? – alcançarão melhores dias. Provável que não. Sabem por quê? Todos sabemos. A sabedoria genética será cúmplice da deletéria hereditariedade, ou seja, dos netos e bisnetos de Sarney, de Daniel Dantas, de Collor e outros desse time, nascerão outros belos exemplares aprendizes da arte de escamotear a verdade, enobrecer o nepotismo e tornar a pilhagem uma instituição divina. Nesse caso, qual será o nosso futuro?

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