
Pedro, Zé, Chico, Toinho ganham menos de quinhentos mirréis por mês – o salário mínimo, todos sabem quanto é. Ganham menos, claro, pois dessa fortuna ainda deixam no emprego 8% pro instituto e seis por cento pro vale transporte. Pois bem. Sabe o amigo leitor quanto ganha Carlinhos Bala, um perna-de-pau que corre atrás da bola, hoje em dia vestindo a camisa do Náutico? R$ 50 mil, se não for mais. Valor exato ninguém sabe porque os mais diretamente interessados preferem – com razão – não divulgar.
Carlinhos Bala foi pinçado entre milhares de atretas (assim mesmo, atretas) Brasil afora, que ganham todo mês 100, 200, 300 salários mínimos para alegrar as massas (alguns deles só as entristecem). E os técnicos de futebol? Fazendo gozação com os otários que vão se esgoelar nos desconfortáveis estádios, eles arrastam centenas de milhares de reais para exercer sua nobre missão. Não são todos, é evidente, que levam pra casa salários milionários. Mas são muitos.
Onde estará a lógica dessa coisa? Não que jogadores e técnicos sejam menos cidadãos que os outros. Mas, por outra parte, não deveriam ser mais cidadãos que os motoristas, pedreiros, serralheiros, executivos, professores. Raciocinando por tais parâmetros fica impossível compreender a razão de pagar-se aos atretas e atletas valores tão generosos, de fazer inveja a muitos marajás.
Como é inevitável resvalar para comparações, pois assim a compreensão fica mais fácil, pensemos em alguns casos desses que até as ladeiras de Olinda sabem. Não há como falar em valores exatos, claro. Quanto ganha, por exemplo, a maioria dos executivos brasileiros, mesmo nas grandes empresas? Digamos, R$ 30, 50, 80 mil? Acho muito. Bem mais do que merecem e necessitam. Ganham dezenas de vezes mais que um professor, até de nível universitário. Ganham muitas vezes mais que um Juiz de direito, um promotor público, um deputado federal, um senador.
Eu disse em algum absurdo até agora? Talvez. Absurdo, o amigo leitor vai ver agora. Qualquer jogadorzinho meia-tigela de clube de segunda leva 15, 20, 30 ou 40 mil reais por mês. Refiro-me aqui só aos lá de baixo. Os que têm uma pontinha de fama embolsam de 100 mil para cima. Lembram-se de um tal de Paulo Baier, que não era bom mas abiscoitava (termo da década de 20, desculpem-me) 100 mil reais do pobre do Leão da Ilha?
É essa lógica que temos vivido nas últimas décadas. Nem quero tocar na questão da compra de passes e supersalários dos clubes europeus. Até porque naqueles países a coisa tomou proporções oceânicas. Trata-se de um disparate. Pra citar só um caso, comprar o passe de um Cristiano Ronaldo por 160 milhões de euros parece mentira. Será que não é mentira?
É um modelo aleijado, sem um milionésimo de lógica. Ah, lembrei-me: podemos nos queixar ao bispo. Quem sabe a gente não tem sucesso, já que agora não mais estamos diante de um reacionário de batina?
Os que não aceitam essa zorra que se queixem ao bispo. Se este não quiser se comprometer, será razoável recorrer aos deuses, os deuses do futebol a que se refere aquele locutor conhecido como o rei dos puxa-sacos.
Carlinhos Bala foi pinçado entre milhares de atretas (assim mesmo, atretas) Brasil afora, que ganham todo mês 100, 200, 300 salários mínimos para alegrar as massas (alguns deles só as entristecem). E os técnicos de futebol? Fazendo gozação com os otários que vão se esgoelar nos desconfortáveis estádios, eles arrastam centenas de milhares de reais para exercer sua nobre missão. Não são todos, é evidente, que levam pra casa salários milionários. Mas são muitos.
Onde estará a lógica dessa coisa? Não que jogadores e técnicos sejam menos cidadãos que os outros. Mas, por outra parte, não deveriam ser mais cidadãos que os motoristas, pedreiros, serralheiros, executivos, professores. Raciocinando por tais parâmetros fica impossível compreender a razão de pagar-se aos atretas e atletas valores tão generosos, de fazer inveja a muitos marajás.
Como é inevitável resvalar para comparações, pois assim a compreensão fica mais fácil, pensemos em alguns casos desses que até as ladeiras de Olinda sabem. Não há como falar em valores exatos, claro. Quanto ganha, por exemplo, a maioria dos executivos brasileiros, mesmo nas grandes empresas? Digamos, R$ 30, 50, 80 mil? Acho muito. Bem mais do que merecem e necessitam. Ganham dezenas de vezes mais que um professor, até de nível universitário. Ganham muitas vezes mais que um Juiz de direito, um promotor público, um deputado federal, um senador.
Eu disse em algum absurdo até agora? Talvez. Absurdo, o amigo leitor vai ver agora. Qualquer jogadorzinho meia-tigela de clube de segunda leva 15, 20, 30 ou 40 mil reais por mês. Refiro-me aqui só aos lá de baixo. Os que têm uma pontinha de fama embolsam de 100 mil para cima. Lembram-se de um tal de Paulo Baier, que não era bom mas abiscoitava (termo da década de 20, desculpem-me) 100 mil reais do pobre do Leão da Ilha?
É essa lógica que temos vivido nas últimas décadas. Nem quero tocar na questão da compra de passes e supersalários dos clubes europeus. Até porque naqueles países a coisa tomou proporções oceânicas. Trata-se de um disparate. Pra citar só um caso, comprar o passe de um Cristiano Ronaldo por 160 milhões de euros parece mentira. Será que não é mentira?
É um modelo aleijado, sem um milionésimo de lógica. Ah, lembrei-me: podemos nos queixar ao bispo. Quem sabe a gente não tem sucesso, já que agora não mais estamos diante de um reacionário de batina?
Os que não aceitam essa zorra que se queixem ao bispo. Se este não quiser se comprometer, será razoável recorrer aos deuses, os deuses do futebol a que se refere aquele locutor conhecido como o rei dos puxa-sacos.
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